FITOTERAPIA CHINESA E BRASILEIRA: A ARTE DA CURA ATRAVÉS DAS PLANTAS

FITOTERAPIA CHINESA E BRASILEIRA: A ARTE DA CURA ATRAVÉS DAS PLANTAS

 

      A Fitoterapia Chinesa e Brasileira foi reconhecida em 2006 como Prática Integrativa e Complementar.

      Ao contrário do que muitos pensam, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) não se resume ao tratamento com acupuntura, esta é apenas um ramo da MTC.

      A FITOTERAPIA CHINESA é parte integrante da Medicina Tradicional Chinesa e cada vez mais vem sendo utilizada no mundo todo como terapia de escolha para diversas doenças. A Fitoterapia é o sistema terapêutico mais antigo do mundo, remontando aos primórdios da sociedade primitiva em que o homem começava a associar a ingestão de certas plantas com fins terapêuticos e medicinais.

      As substâncias utilizadas na Fitoterapia Chinesa incluem substâncias de fontes vegetais, animais, fúngicas, minerais e alguns produtos químicos e biomédicos. As substâncias de origem vegetal correspondem a mais de 80% de toda a Matéria Médica Chinesa, sendo assim, ficou mais conhecida como Fitoterapia Chinesa aqui no Ocidente.

      No Brasil, já em 1988 através resolução Ciplan nº 8/1988 foi regulamentado a implantação da fitoterapia nos serviços de saúde e criou procedimentos e rotinas relativas à sua prática nas unidades assistenciais médicas que culminou, após diversas resoluções, na Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. E em 2014, a ANVISA, através da RDC 21 de 25 de abril de 2014, regulamentou a fabricação e comercialização de produtos da MTC e permitiu apenas o uso de plantas nas Fórmulas Magistrais Chinesas e nas fórmulas manipuladas.

      No âmbito da enfermagem a prática é regulamentada pela Resolução 581/2018 que reconhece a Fitoterapia como ramo das Práticas Integrativas e especialidade de enfermagem.

      Desde a China antiga, os mestres sempre diziam que as ervas medicinais são a base da Medicina Tradicional Chinesa. Mais de 3.000 substâncias medicinais foram descritas em livros clássicos antigos e atualmente há mais de 12.800 substâncias da Matéria Médica Chinesa já coletadas e identificadas.

      O uso de Fitoterapia Chinesa também baseia-se nas teoria de base da Medicina Tradicional Chinesa. Cada substância tem sua própria característica energética específica, classificada de acordo com a natureza, sabor, direcionamento, associação com os Canais de Energia e órgãos e seu grau de toxicidade. Os diversos ingredientes que compõem uma receita, ou fórmula fitoterápica, são combinados em proporções que vão maximizar os efeitos desejados e inibir possíveis efeitos colaterais.

      A prescrição do fitoterápico, indicada por um fitoterapeuta de Medicina Tradicional Chinesa, é elaborada de forma específica e individual para o padrão energético de cada paciente. Diferentemente dos remédios alopáticos que tratam basicamente os sintomas, a Fitoterapia Chinesa, prescrita de forma correta, trata a doença como um todo com o mínimo de efeito colateral e fortalece o organismo para preservar a saúde e prevenir doenças.

      Uma fórmula fitoterápica chinesa poderá englobar seis ou mais plantas e cada uma delas com objetivos bem definidos, que vai desde impedir efeitos colaterais indesejados a encaminhar os agentes principais ao local da doença.

      Para se fazer uma fórmula fitoterápica chinesa, é preciso conhecer as capacidades energéticas, curativas e sinérgicas das ervas, ou seja, a interação de uma planta com as outras. Na formulação Chinesa existe uma erva Imperador, que vai determinar a ação da fórmula, as ervas Ministros, que ajudam a potencializar a ação do Imperador, as ervas Assistentes que são necessárias para o bem-estar da pessoa e cuidam do estômago para que este receba a fórmula, e por fim as ervas Mensageiras que levam as ervas para o local necessário.

      De acordo com André Teixeira, enfermeiro acupunturista há 10 anos e fitoterapeuta há 2 anos, “a indicação dos fitoterápicos geralmente vai para os pacientes que procuram a acupuntura como tratamento e acabam se deparando com um conceito de saúde bem mais amplo, natural e focado no equilíbrio e saúde do indivíduo como um todo.”

      “Porém, hoje em dia, dado a todo o processo de divulgação e educação das pessoas, já existem pacientes que procuram exclusivamente o tratamento com a Fitoterapia Chinesa e Brasileira”, relata o dr. André Teixeira.

 

 

Propriedades das plantas

As plantas podem ser classificadas:

– segundo as suas propriedades térmicas: quentes, mornas, frescas e frias, podendo ainda falar-se de uma quinta propriedade, a neutra.
– segundo os cinco sabores: azedo (ácido), amargo, doce, picante e salgado, teoria elaborada por Chou Li em 770-476 a.C.
– segundo as quatro direções: ascendente, descendente, circulante (flutuante) e de submersão. Sistema de classificação geralmente atribuído a Li Tung 1180-1251 d.C.

      As ervas com propriedades mornas ou quentes são Yang em natureza. Elas dispersam o vento e o frio interno, aquecem o Baço e o Estômago, reabastecem o Yang, também possuem ações estimulantes e fortalecedoras, ervas dessa natureza incluem o acônito, gengibre seco, canela e tratam várias doenças do frio.

      As drogas com propriedades frescas ou frias tais como: coptis, scutellaria, gypsum e gardênia são Yin em natureza. Elas removem o calor, aliviam a inflamação patogénica, acalmam os nervos devido à sua ação inibitória, servindo também como antibióticos, sedativos e antiflogísticos para doenças febris.

      Devido a variação na constituição corpórea, a circulação do Qi (energia), sangue e meridianos, assim como as manifestações externas da doença, as ervas com a mesma classificação com frequência diferem nos seus efeitos terapêuticos. Cada um dos 5 sabores, determinados a partir de experiências a longo prazo, tem as suas próprias funções específicas. Geralmente as plantas de sabor picante exercem efeitos de dispersão e promoção; as de sabor doce de tonificação e regulação; as de sabor amargo efeitos fortalecedores e purgantes; as de sabor azedo efeitos adstringentes e as de sabor salgado efeitos suavizantes e purgantes. As ervas picantes como gengibre fresco e menta dispersam os patógenos externos.

      As ervas doces são tônicas e lenitivas; o ginseng nutre o Qi e o alcaçuz alivia a dor. As ervas amargas tais como carqueja e melão amargo têm a ação de secar a humidade e são purgantes. As ervas azedas amolecem, fortificam e humedecem. As algas marinhas tratam fleuma estagnado.

      Ascendência, descendência, circulação e submersão representam outras quatro qualidades adicionais usadas para classificar as plantas (ervas). Ascendentes e circulantes referem-se a drogas que têm um efeito para cima e para fora, usadas para ativar o Yang, induzir a transpiração e dispersar o frio e o vento. Em contraste, drogas descendentes e de submersão, possuem um efeito para baixo e para dentro – elas tranquilizam, causam contração, aliviam tosse, interrompem a êmese e promovem a diurese e purgação. Como uma das teorias fundamentais na Fitoterapia Chinesa, as quatro direções relacionam-se aos diferentes estados de doença no organismo humano. Assim as plantas mornas, quentes, picantes e doces são classificadas como ascendentes e circulantes por natureza, enquanto as frias, frescas, azedas, amargas e salgadas têm ações descendentes e de submersão. As ervas suaves e leves tais como flores e folhas normalmente possuem qualidades ascendentes e circulantes enquanto as ervas túrbidas e pesadas tais como sementes e frutos possuem efeitos descendentes e de submersão.

      Os efeitos farmacológicos das combinações herbárias sobre o organismo humano provaram-se muitos complexos. Isto demonstra que a fitoterapia chinesa na sua complexidade provou a sua eficiência no decorrer dos séculos, assim como na atualidade.

 

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